sábado, 21 de agosto de 2010

Perdas

Eu não pude fazer nada por mim neste momento;

Traí o mais doce carinho que obtive,

Traí a quem tanto me quis bem.

Não tive chances de sair do mar quando as ondas estavam baixas,

Não consegui apagar a luz antes de o sol nascer;

Nem consegui vestir minha roupa quando fiquei mais gorda,

Consegui o fim de todo meu brilho, a treva de minha Luz;

A dor de qualquer parte que tenha surgido em meu peito

E a morte acima de qualquer vida.

Eu sei o que fiz, mas não consigo mais conviver com essa dor

Dói demais enganar a mim mesma, porém é a minha foz.

Consegui quase tudo o que quis, só não o que realmente queria,

Por que o que eu queria o dinheiro não pode dar,

E isso é um problema quando não se tem o que fazer.



Desculpe minha intolerância, e minha inconstância,

Mas é que eu não tenho mais forças para continuar,

Minha fraqueza é maior que meu olhar, e isso é um problema.

Desculpe-me o mesmo gesto, a mesma ação e a mesma reação.

Eu não posso mais, é uma parte indestrutível de meu eu

E esse EU me torna mais inconstante do que o costume;



Quiçá eu tenha dado mais do que esperara,

Quiçá eu tenha recebido mais do que devera,

Quiçá nada me tenha restado, a não ser uma vida regrada

Pelo que mais quis e não tive.

Quiçá os sonhos sejam vãos, ou mesmo eu tenha caído em mim

E tenha descoberto o que eu fiz e não me perdoei por isso,

E por não ter-me perdoado, não pude dar o meu amor a outrem.



A vida tem desses princípios, de onde saem os desafios de um amanhã

Dotado de invasões, e em uma destas aconteceu o garantido sofrimento,

E o imaginável fim.

Por que essa história acabou sem ao menos ter-se consumado,

Acabou; talvez porque não tivemos forças para levá-la à diante

Ou por não termos coragem de um encontro real,

Acabou por que eu fui fraca em ter começado, posto que me fosse mais fácil

Se nada tivesse ocorrido e mesmo não tendo ocorrido, só eu sei o que tive.



Desculpe a quem chorou, pois as minhas lágrimas nada importam,

E as de quem chorou valem mais que mil palavras;

Preciso estar sozinha, afinal é o meu destino mortal;

Assim sei que o mal será cometido apenas em mim,

Mas afirmo com as doces ilusões que carrego

Que quem me ama peço perdão, e quem eu amo

Que por Deus também me perdoe, pois as forças que haviam

Foram-se embora quando pensei que tivesse alguma!




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