quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ao que me faz ser




Procuro pedaços de pequenas palavras soltas e dilatadas
Para tentar explanar em linhas tortas
O que sinto quando começo a escrever.
Escrevo para curar minha cruel enfermidade
Escrevo, sobretudo para acalantar  a auto-tempestade.
Escrevo para variar o meu interior, que se cansa de ser ele mesmo
E descansa em algum leito análogo ao do funesto.


Proferem que é fácil escrever. Calúnia!
Fácil é jogar palavras, deixá-las soltas, avulsas, como se não tivessem dona;
Fácil é rimar céu com véu e ainda acrescentar um mel.
Escrever é alma. Cerne. Íntimo. Espírito. Imo. Interior. Particular. O corpo a vida detém.
Escrever é sentir lá no fundo... Bem no fundinho o que é verdadeiramente sentir,
O que é mister para se saber o que o peito sempre tenta descrever.


Escrevo com o coração, com o brilho dos olhos, que ofuscam cada palavra,
Cada gesto e cada suspiro de um amontoado de prazeres que sinto quando estou aqui.
Escrevo porquanto é a minha condição humana.
Escrevo sem saber o que me pode custar.
Sinto o peso de cada letra, de cada entrelinha e cada sentimento escrito.
Como estou sentindo agora. Minha garganta é testemunha.


Escrever nada mais é do que comprimir a larva contra o casulo;
É retirar do chão a dor que enfeita o peito e suspirar pelo momento preciso e sadio.
E escrevo, sem pedir nada em troca. Além do que eu mesma posso me dar.
Escrevo a fim de estar exatamente revigorada, mesmo que seja jamais.
Inda assim persistirei escrevendo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O que tu és em mim




Tu és  motivo para meu amanhecer
Virtude para meu anoitecer
E saudade para todo o resquício de estar em mim.

Tu és a verdadeira saudade em forma de amor,
E eu te Amo com a mais honrosa e calorosa ambição
Desde o dia em que te vi e quando te senti.

Eu Te Amo.
Cada dia é como se me fosse mais admirável e menos perturbante,
E à minha tranqüilidade aparente, eu dedico o meu enaltecer por ti
(que é a essência de tudo o que eu mais puder construir de Amor)
  Sem a dor –
E a única razão para eu ansiar alterar o que eu costumava ser.
A única razão pertinente e conveniente.

Quando estou contigo as sequências acuam, descontinuam
Como carece.
Quando estou contigo a vida cursa,
O temperamento abranda,
Os nervos eriçam,
Os olhos franzem,
E o corpo ferve (como se fosse borbulha)
E como se me desse o amparo vital mister.
 
Parando agora para pensar um pouco mais em ti...

Voltando ao meu inerente cogito interior,
Volto em ti.
Porquanto posso estar bem.

Residir cá, denota procurar pretextos para continuar
E a minha única razão presente está em ti,
Permitindo meu amanhecer antes escurecido
E tornando a vitalidade menos dolorosa.

Eu te Amo.
Pela sublime experimentação do teu interior,
Por teu brilho visual superficial,
Teu múltiplo cerne instigante
E tua fiel alma penetrante.

Quando estou contigo, amor meu,
Contigo estou.
E não preciso de mais nada.