quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ao que me faz ser




Procuro pedaços de pequenas palavras soltas e dilatadas
Para tentar explanar em linhas tortas
O que sinto quando começo a escrever.
Escrevo para curar minha cruel enfermidade
Escrevo, sobretudo para acalantar  a auto-tempestade.
Escrevo para variar o meu interior, que se cansa de ser ele mesmo
E descansa em algum leito análogo ao do funesto.


Proferem que é fácil escrever. Calúnia!
Fácil é jogar palavras, deixá-las soltas, avulsas, como se não tivessem dona;
Fácil é rimar céu com véu e ainda acrescentar um mel.
Escrever é alma. Cerne. Íntimo. Espírito. Imo. Interior. Particular. O corpo a vida detém.
Escrever é sentir lá no fundo... Bem no fundinho o que é verdadeiramente sentir,
O que é mister para se saber o que o peito sempre tenta descrever.


Escrevo com o coração, com o brilho dos olhos, que ofuscam cada palavra,
Cada gesto e cada suspiro de um amontoado de prazeres que sinto quando estou aqui.
Escrevo porquanto é a minha condição humana.
Escrevo sem saber o que me pode custar.
Sinto o peso de cada letra, de cada entrelinha e cada sentimento escrito.
Como estou sentindo agora. Minha garganta é testemunha.


Escrever nada mais é do que comprimir a larva contra o casulo;
É retirar do chão a dor que enfeita o peito e suspirar pelo momento preciso e sadio.
E escrevo, sem pedir nada em troca. Além do que eu mesma posso me dar.
Escrevo a fim de estar exatamente revigorada, mesmo que seja jamais.
Inda assim persistirei escrevendo.

Um comentário:

  1. Tenho uma amiga poeta, isso basta! Muito lindo seus textos. Sente-se que é do fundo do peito.
    Parabéns amiga! Vai ter concursos de poesias de autoria dos alunos de letras da UFPI. Você vai ser uma das vencedoras. Assim que eu souber algo te comunico amiga. Beijos! Nathália Thércia

    ResponderExcluir

O que você achou?