sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A quem quer que seja

Certa vez cometi o deslize de saltar meus olhos nos olhos de outrem,
Alguém que em nada me conhece, nem permanece em mim,
No entanto é quem quer que seja que salvou meu coração
Do perigo do vão..

Certa vez percebi as razões de uma vida sem horizonte,
De um passo sempre falho, 
Por que ouvi sussurrar dos lábios de quem me fez aqui estar
Que em tudo tocado por mim, eu falho.

Certa vez eu até me decidi.
Lutar em vão também é vão,
É estar caindo e se livrando do peso para cair mais rápido,
Ué, se já está ocorrendo, por que instigar inda mais o fato?

Certa vez quase tropecei nas minhas pernas, mas aí eu me segurei firme
No braço amigo que encontrei, e quase findei..

Um dia desses eu quis parar, estagnar o meu ofício,
Mesmo sabendo que voltaria.
É estranho cogitar além do que faço,
É estranho por que dói.

Há um momento incerto dentro de uma realidade incerta
Em que o ser pára de querer lutar,
Por que o miocárdio cansa, e enobrece..

Há quem consiga atuar uma vida inteira,
Mas há quem não consiga!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Lacuna


Sinto falta de pessoas, as quais passaram por mim como se fossem pêlo curto e fino em  breve madeira...
Sinto falta té mesmo do que tenho, como se eu fosse um vaso quebrado. Constantemente quebrado, e oco e pouco.
 Não sei, é como se o sol não acendesse mais em mim, e a lua não me refletisse. E eu não existisse mais.
Sinto-me tão só.
Sinto-me tão oca e ainda tão nua e nula, que é como se eu fosse pura. Acontece que eu não sou. Em nada. Nem em tudo.
Sinto também que pressinto o meu mal estar, e que eu mal tento ficar bem, decaio.
Sinto-me apática e até serena com isso. Almejo mais do que nada.
Almejo tudo o que eu mais espero, no entanto eu penso assim: Mas como, eu nem espero nada? Aí eu percebo que eu fico quase bem. Estranho!
O meu oco me avisa que eu devo parar. Estagnar minha ânsia de viver lutando e estagnando. Estive mal, mas passou.