O Oco Sem Imagens.
Improviso tudo para catar uma
solução cabível e solúvel para meus tremores, invento como se estivesse
faltando um pedaço de mim, meu coração está aos pulos, pulsando mais acelerado,
de forma diferente por algo que jamais havera conquistado, porque muitos falham
demais, outros nem produzem este privilégio.
A dor que em meu peito habita,
está ali como uma espécie de mágica, como algo que perece e permanece. Quem
sabe isso afaste de mim esta tão íngreme inconstância tal qual ela existe. A
inconstância precisa mover de mim esse medo que estou sentindo agora, um medo
diferente de tudo o que poderia imaginar, e que está impedindo minha
progressão.
Nem as estrelas, nem tampouco o
universo conseguiriam adquirir tamanho desapreço, permaneço naquilo que temi e
busco além do que existe. Faço parte da hipocrisia, tão volátil, tão tênue que me
faz parar de pensar no que jamais ocorrerá. Se eu não conseguir realizar minhas
obrigações, que eu feneça aumenos na graça de saber que tentei, que meu erro
não seja vão, que a desgraça não me encontre e que tudo aquilo que mais sonhar,
com fé se desvele, porque a maior virtude é fenecer a tentar e jamais desistir
só porque sabe que o almejo jamais poderá ser erradicado.
A vida toda me acostumei com as
derrotas que a mesma me apresentou, e nunca me feri por isto, não mais me
surpreendo porque as vezes agente se acostuma com as coisas insanas que nos
cercam, mas também não me maravilho com a vitória, é o mínimo que eu posso
fazer para tirar de mim esse efeito devastador que a derrota origina, daí o
motivo por eu sempre me superar. Anseio estar onde puder, e desejo poder ir aonde
almejo e ainda assim estar aqui, não neste lugar, mas neste momento partilhando
minhas ânsias e angustias a mim mesma. Quantas coisas perdi, quantos medos
sofri! E ainda tenho forças para lutar e buscar meu horizonte, como algo que
também não volta, a história é como uma canoa, sem remo no meio do oceano, se
você usar as mãos como remo ou tiver a sorte (tão rara sorte) de a correnteza
vos levar à areia onde tenha comida e água, você se acha um ser vitorioso, mas
senão, se não encontrar saída ou perder a fé, aí sua pobre canoa afundará e
serás devorado ainda que, pelo menor dos animais marinhos.
A existência é assim, ou você toma uma atitude e
segue em frente, ou pára e fenece.








